O mês de novembro provou ser, conforme esperado, um grande teste de liquidez para os administradores e gestores de dois fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC), que têm como cedentes o Banco Panamericano e que são fundos abertos. No mês passado, a Uqbar publicou um artigo analisando os riscos de crédito e de liquidez do maior FIDC ligado ao Banco Panamericano Os riscos de crédito e de liquidez do maior FIDC do Panamericano (17/11/10). De acordo com o artigo, os eventos financeiros que assolaram o Banco Panamericano há pouco mais de um mês se traduziriam, no âmbito do FIDC Master Panamericano CDC Veículos (MasterPan), primeiramente em um grande desafio de liquidez.


O MasterPan, juntamente com o outro FIDC que também tem o Banco Panamericano como cedente, o AutoPan FIDC CDC Veículos (Autopan), sofreu resgates pesados no mês de novembro. Entre os dois fundos foram R$ 552,7 milhões de cotas sênior resgatadas. Somente no FIDC MasterPan os resgates somaram R$ 450,03 milhões, ou seja, 20,7% do seu patrimônio liquido (PL) no mês anterior. O PL do fundo no final de novembro era de R$ 1,95 bilhão.

Em termos de número de investidores, a perda também foi importante: no final de outubro, os números de cotistas sênior do MasterPan e do AutoPan eram de 399 e 183 respectivamente. No final do mês seguinte eles abaixaram para 269 e 94 respectivamente.


Sendo fundos abertos, pequenas oscilações de PL decorrentes dos movimentos de resgates e subscrições são normais; porém, até o mês passado, nenhum dos fundos tinha tido resgastes superiores a R$ 76,8 milhões em um único mês. Em termos de captação líquida no mês (captações menos resgates), o pior período tinha sido o de outubro de 2008 a março de 2009, quando, no caso do MasterPan, a média mensal de captação líquida negativa chegou a R$ 43,7 milhões.


Para ajudar a atender esse abrupto movimento de saída em novembro último, ambos os fundos receberam uma injeção substancial de recursos através de emissões de cotas subordinadas. Foram R$ 175,00 milhões de subscrições no MasterPan e R$ 46,4 milhões no Autopan. Mesmo assim, ainda permaneceu uma necessidade de caixa considerável, que deve ter sido atendida através de uma combinação de captação marginal de cotas sênior, vencimentos de direitos creditórios e, principalmente, venda de direitos creditórios. Neste último caso, tudo leva a crer que o próprio Banco Panamericano deva ter tido um papel relevante como comprador. O nível histórico de ativos de liquidez imediata (títulos públicos) dos fundos até outubro passado girava em torno de 0,5% do PL.


Como indicado em nosso artigo de 17/11, o risco principal no momento associado aos dois fundos é o risco de liquidez. Os índices de desempenho da carteira deste fundo encontram-se muito bons.

 

 

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