O montante de negócios com Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) registrados na Cetip ao fim do primeiro semestre de 2014 alcançou a cifra histórica de R$ 11,83 bilhões. A marca, maior já registrada para o período, representa crescimento de 110,9% frente ao montante de negócios ocorridos no mesmo período de 2013. Quando se toma por base comparativa o número de negócios ocorridos naquela câmara o crescimento também é expressivo. Foram 2.234 negócios entre janeiro e junho de 2014, contra 1.467 no mesmo período de 2013, ou seja, crescimento de 52,3% no intervalo de apenas um ano.

Em termos mensais, o panorama observado no mês de junho mostra uma reversão da tendência de baixa ocorrida entre abril e maio, quando a queda no montante negociado mensal foi de 32,5% e 68,8%, respectivamente. Em contrapartida, o montante negociado de CRI apenas no mês de junho somou R$ 2,54 bilhões, do qual se depreende um crescimento de 294,8% ante o mês anterior.

Com relação ao número de negócios, no último mês a marca foi de 508, quase o dobro do registrado no mês anterior, em que ocorreram 260 transações. Além disso, este número é a melhor marca registrada no ano, registrando uma unidade além da marca registrada em março (507), tal como mostra a Figura 1.

Figura 1 - Evolução do montante mensal negociado de CRI em 2014


Direcionando-se a análise para a composição do montante negociado por faixa de prazo - o intervalo de tempo entre a data de emissão de um título e a respectiva data de sua negociação –, percebe-se em 2014 um cenário de maior concentração dos negócios de CRI realizados até 30 dias após a data de emissão. Estas transações normalmente se caracterizam como parte ainda do mercado primário, e, como fator peculiar aos primeiros seis meses de 2014, cerca de 60,4% do montante negociado no primeiro semestre ocorreu menos de um mês depois da emissão do respectivo título, contra 27,2% nos primeiros seis meses de 2013. A forte concentração observada em 2014 se dá pela presença das negociações envolvendo as mega operações1 ocorridas neste período.

Consequentemente, o volume financeiro de negócios com títulos emitidos há mais de 180 dias perdeu participação entre 2013 até junho e 2014, de 57,2% para 30,9%. Fração marginal correspondeu aos negócios ocorridos entre 31 e 180 dias, representando 8,7% do montante negociado total.

Quando se trata do número de negócios, nos primeiros seis meses de 2013, 60,7% das transações haviam se realizado depois de 180 dias da data de emissão do título, enquanto que em 2014 esta parcela se elevou para 68,8%. Por conseguinte, os títulos negociados até 30 dias após a emissão caíram de 15,1% em 2013 para 4,9% em 2014. Portanto, depreende-se que, apesar de o montante negociado por faixa de prazo ter se concentrado na primeira faixa de prazo, quando se adota o critério do número de negócios nota-se que a maioria dos negócios ocorridos durante os primeiros seis meses de 2014 se aproximaram mais de um mercado secundário genuíno quando comparado ao mesmo período de 2013.

A Tabela 1 apresenta a composição do montante negociado de CRI, por faixa de prazo, no primeiro semestre de 2013 e 2014.

Tabela 1 – Composição do montante negociado e do número de negócios de CRI por faixa de prazo


Finalmente, em junho de 2014 ocorreram 8 negócios com CRI no ambiente de negociações da BM&FBOVESPA, totalizando um volume de R$ 2,63 milhões. No acumulado do ano, 75 negócios com esses títulos ocorreram em bolsa, perfazendo um montante de R$ 55,0 milhões.
 
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¹A Uqbar classifica como mega operações, operações que sejam superiores a R$ 500,0 milhões. As séries em questão são a 232ª e a 234ª da segunda emissão da CIBRASEC e a 3ª série da 1ª emissão da Barigui.
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