Mercado de CRA dominado por operações de perfil corporativo

A recente ascensão observada no mercado de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) tem chamado atenção. Para os que acompanham em mais detalhe, observa-se, ainda, que tal crescimento tem se fundamentado predominantemente em operações com lastro em crédito corporativo. Nos últimos cinco anos, período no início do qual as emissões de CRA passaram a alcançar patamar não desprezível, a participação de operações com este tipo de lastro nunca havia atingido nível tão alto como agora na leitura do desempenho do mercado no primeiro semestre de 2016. Por consequência, a parcela das operações realizadas de lastro em crédito pulverizado vem sendo reduzida concomitantemente. A explicação básica para este comportamento recente da composição do mercado de CRA reside no custo competitivo de captação de recursos que estas operações têm viabilizado para empresas, muito em função da isenção tributária sobre rendimentos usufruída por investidores pessoas físicas, principais adquirentes deste título nas ofertas primárias realizadas.

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De perfil corporativo, emissões de CRA já superam R$ 5 bi em 2016

O mercado de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) é atualmente um dos segmentos de maior dinamismo do universo de finanças estruturadas. Desde 2009, data da primeira operação de CRA, a securitização do agronegócio tem praticamente dobrado de tamanho ano após ano quando medida em termos do montante emitido. Mais recentemente, operação emitida em montante recorde de R$ 1,35 bilhão deu novo impulso à indústria fazendo com que as emissões consolidadas nos seis primeiros meses de 2016 já excedesse o registrado para todo o ano de 2015, consignando, também, uma importante mudança no perfil de operações de CRA.

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As oportunidades estruturais e conjunturais do mercado de CRA

O mercado de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) ganhou espaço e relevância crescente nos últimos dois anos no universo do mercado de capitais. Atingindo taxas de crescimento muito superiores a outros segmentos, as emissões de CRA se tornaram alternativa prioritária para captadores corporativos e oportunidade de investimento disputada entre investidores pessoas físicas. Além disto, exibindo importante autonomia, o segmento de CRA foi capaz de gerar o seu próprio desenvolvimento de mercado, viabilizando operações de lastro pulverizado cujas estruturas permitiram o alongamento do seu prazo, historicamente curto, e a participação nestas de empresas de seguro de crédito. Este artigo apresenta a evolução desse mercado nos últimos anos a partir da análise das mudanças do perfil de risco e das formas de distribuição destes títulos.

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CRA devido pela São Martinho recebe classificação AA+

A S&P atribuiu a classificação de risco preliminar ‘brAA+ (sf)’ à 1ª série da 6ª emissão de CRA a ser realizada pela Octante Securitizadora. A emissão será lastreada por uma nota de crédito à exportação (NCE) emitida pelo Itaú Unibanco S.A. e devida pela São Martinho S.A. Segundo a agência, a classificação “reflete nossa avaliação sobre a qualidade de crédito da São Martinho, como a única devedora do ativo que lastreia a operação”. Os juros remuneratórios dos CRA serão definidos em processo de bookbuilding, sendo que a taxa máxima de juros deverá corresponder a 104,5% da Taxa DI over. A série tem vencimento legal previsto para julho de 2019 e montante inicial de R$ 300,0 milhões, segundo o prospecto. A devedora pertence ao Grupo São Martinho que está entre os maiores grupos sucroenergéticos do Brasil.

Novo CRA incentivado pela Nufarm recebe classificação

A Moody's atribuiu a classificação de risco (P) Aaa.br (sf) para a 1ª série da 11ª emissão de CRA a ser emitida pela Octante Securitizadora, no montante de até R$ 170,0 milhões. Os CRA serão lastreados por cédulas de produto rural financeira (CPR Financeira) e certificados de direitos creditórios do agronegócio (CDCA) emitidos por produtores rurais e distribuidores, respectivamente. A operação se trata de um programa de securitização incentivado pela Nufarm Indústria Química e Farmacêutica. Os recebíveis que lastrearão a operação serão beneficiados por uma apólice de seguro de crédito emitida pela AIG Insurance Company of Canada. A emissão tem prazo de vencimento em 48 meses. Esta série trata-se de um título sênior e conta com suporte de crédito de 15% a ser fornecido por meio de CRA Mezanino (10%) e CRA Subordinado (5%).

Primeira operação de CRA da Ápice recebe classificação A-

A Fitch atribuiu a classificação de risco ‘A-(exp)sf(bra)’ à proposta da 1ª série da 1ª emissão de CRA da Ápice Securitizadora, em montante de até R$ 70,0 milhões. A proposta de emissão será lastreada por uma CPR-F emitida pela Bartira Agropecuária S.A (Bartira), em favor da Morumbi Agropecuária S.A. (Morumbi), por meio da aquisição de soja. A Morumbi é subsidiária integral da Bartira. A CPR-F conta com o aval da Brookfield Incorporações e da Bartira Agro-Industrial, que fazem parte do mesmo grupo econômico da emissora da CPR-F. A operação de CRA terá seu vencimento previsto para agosto de 2020 e remuneração atrelada ao CDI acrescido de spread fixo de 0,8% ao ano. A taxa efetiva para a série será definida em processo de bookbuilding. A estrutura da operação contempla a Pentágono DTVM como agente fiduciária e a Itaú CV como agente escrituradora. O Itaú será o agente de pagamento e o banco liquidante. A Brookfield Incorporações, além de avalista da CPR-F, será responsável pelas despesas relativas aos CRAs e por quaisquer valores devidos oriundos do descasamento das taxas de juros.

Direcionamento de recursos captados com LCA é alterado

Em 31 de maio de 2016 foi publicada pelo Banco Central a Resolução CMN Nº 4.497. Entrando em vigor já no dia 1º de junho de 2016, a norma altera as regras de direcionamento dos recursos captados por meio das emissões de LCA. Com a alteração, os recursos captados por meio da emissão de LCA devem ser objeto de direcionamento pelas instituições financeiras para a aplicação em operações de crédito rural correspondente a 35% do saldo médio diário dos títulos. Dos 35%, no mínimo 40% devem ser aplicados em operações de custeio rural a taxa efetiva de juros de até 12,75% a.a., e até 60% podem ser aplicados a taxas livremente pactuadas. Anteriormente, no mínimo 50% do saldo médio diário das LCA deveria ser direcionado para operações de crédito rural, mas o percentual se referia apenas aos títulos com lastro em empréstimos rurais concedidos com recursos de depósitos à vista ou da poupança rural.

Demanda no primário de CRA segue dominada por investidor Pessoa Física

Nos primeiros meses de 2016, seguindo-se ao ocorrido no ano passado, tem sido ostensiva a presença do investidor pessoa física adquirindo Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) diretamente no mercado primário. Além da isenção do imposto de renda nesta categoria de investimento, os prazos e as taxas praticados no mercado indicam estar também exercendo influência na preferência sendo dada por parte do investidor pessoa física.  Há ainda um nível de classificação de risco atribuída para a maioria destas operações que parece atender eficientemente à demanda por parte deste investidor.

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Novo CRA devido pela JSL recebe classificação

A S&P atribuiu a classificação de risco preliminar ‘brA+ (sf)’ à 83ª série da 1ª emissão de CRA da EcoSec. Os títulos terão como lastro um CDCA devido pela JSL S.A. (JSL). O CDCA contará com garantia da cessão fiduciária dos recebíveis oriundos de um contrato de prestação de serviços de transporte de madeira. O montante total da emissão será de aproximadamente R$ 200,0 milhões. A rentabilidade alvo dos CRA será definida em processo de bookbuilding. Os CRA desfrutarão de seis pagamentos semestrais de juros e de dois pagamentos de amortização de principal os quais ocorrerão no 24º e 36º mês após a emissão. O vencimento dos títulos será em junho de 2019. Esta é a segunda operação de CRA com risco JSL a ser realizada pela EcoSec, a primeira foi emitida em outubro de 2015 no montante de R$ 150,0 milhões.

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Estoque de CRA já cresce mais de 40,0% no mês de abril

Ao longo do mês de abril deste ano o montante em estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) vem se elevando fortemente, tendo já acumulado 40,1% de crescimento. Depois de ter se mantido praticamente estável entre meados de dezembro de 2015 e fins de março de 2016, este indicador saltou nas últimas semanas, alcançando sua maior marca desde a criação deste título. Tal comportamento se deve ao considerável volume de emissões de CRA ocorrido ao longo de abril. Ao todo, já foram mais de R$ 2 bilhões emitidos antes mesmo do fim do mês.

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